Slideshow

06/12/2018 11:30

Ex-servidores da Sema compram "carrões" com propina de fraudes em processos, diz TJ-MT

 

TARLEY CARVALHO 
Folhamax 

Os ex-servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), Hiago Silva Queluz e Brunno César Paula Caldas, foram pegos pela Polícia Civil por causa da ostentação sem ter lastro financeiro. Os dois adquiriram veículos que não condizem com suas realidades financeiras, sendo um Honda Civic, uma Hillux e um Camaro, com suposto dinheiro de propina.

Os dois foram alvos da Operação Polygunum, deflagrada pela Polícia Judiciária Civil (PJC) na manhã de segunda-feira. As informações constam na representação do Ministério Público do Estado (MP).

De acordo com o documento, obtido com exclusividade pelo FOLHAMAX, Brunno foi o responsável por pagar uma quantia significativa do Honda Civic, que ficou em posse de Hiago. As investigações apontam que os outros dois veículos foram comprando com dinheiro de propina.

Segundo o documento, o administrador de fazendas, Márcio José Dias Lopes, foi um dos que pagaram propina a Brunno pelas articulações arranjadas pelo ex-servidor para fraudar o sistema de Cadastro Ambiental Rural da Sema. Um dos pagamentos se deu por meio da entrega do Camaro.

As investigações apontam que o administrador transferiu o veículo para Carlos Luiz Dorileo Caldas, pai de Brunno. Pouco tempo depois, no dia 16 de agosto, o carro foi transferido para Sander Luiz Maciel, filho de Joires Antônio Maciel, outro investigado pela operação.

Não parou por aí, o Camaro foi então alienado para Paulo Roberto da Rocha, que reside em Colíder. Na mesma época, Bruno passou a ser o dono de uma Hillux vermelha, comprada por Joires Maciel.

A suspeita das autoridades é que Brunno recebeu o Camaro de herança, mas depois quis trocar, recebendo a Hillux em troca. “Por esta razão, concluem as autoridades policiais que Brunno recebeu o veículo Camaro como pagamento dessas negociações, e, em seguida, trocou esse veículo com a caminhonete Hillux vermelha, e, ainda, pagou parte do veículo Honda Civic para o servidor Hiago”, explica o desembargador Orlando Perri, que decretou a operação.

Além disso, o magistrado também correlacionou que os supostos pagamentos de propina, instrumentalizados com os três veículos são compatíveis com as aprovações dos CARs. Além dos três veículos, a Polícia ainda constatou a existência de outra caminhonete, pertencente, oficialmente, ao ex-vereador de Nossa Senhora do Livramento, Volney Queluz.

A suspeita, porém, é de que a caminhonete – cujo modelo não foi identificado na representação – também seja fruto do pagamento de propina. Contudo, por falta de indícios mais sólidos, o caso ainda será investigado.

A OPERAÇÃO

De acordo com a SEMA, a 3ª fase da operação é resultado da auditoria que a Secretaria vem fazendo, desde agosto, em 595 cadastros ambientais rurais que estão sob suspeitas de terem sido fraudados. Os detalhes do esquema de fraudes no CAR foram fornecidos pela engenheira florestal Patrícia Moraes Ferreira, ré em uma ação derivada da 2ª fase da operação.

Ela firmou acordo de colaboração premiada. A engenheira entregou informações que apontaram a prática de crime ambiental contra a empresária e técnica agropecuária, Luana Ribeiro Gasparotto, dona da Proflora Engenharia e Consultoria Ambiental e que se passava por engenheira. O esquema envolveu servidores da Sema, incluindo o ex-superintendente, João Dias Filho.

A 1ª fase foi deflagrada em agosto. Na época, a polícia cumpriu quatro mandados de prisão e seis de busca e apreensão. Os alvos dos mandados de prisão na época foram João Dias Filho, a empresária Luana Ribeiro Gasparotto, a engenheira – e agora delatora – Patrícia Moraes Ferreira, e a também engenheira florestal Valdicleia Santos da Luz.

De acordo com as investigações, as duas engenheiras apresentavam à Sema relatórios técnicos falsos de tipologia vegetal, alterando, por exemplo, o tipo de flora presente em determinadas áreas. Um dos exemplos é a apresentação de territórios como cerrado, quando na verdade, a região é de floresta.

Isso porque o Código Florestal estipula que 80% de uma área tipificada floresta deve ser preservada, se dentro da Amazônia Legal, o que é o caso de Mato Grosso. No caso de a vegetação ser classificada como “cerrado”, a mesma legislação determina que 35% de sua vegetação nativa deve ser mantida. Por isso o interesse na fraude, para ampliar a área de desmatamento legal.

O ex-superintendente João Dias Filho foi solto cinco dias após ter sido preso, porém, na deflagração da 2ª fase da operação, ele voltou a ser preso. Ele foi exonerado pelo governador assim que o 1º mandado de prisão foi cumprido. O nome “Polygunum” é em referência a medidas geométricas de áreas, referenciadas e utilizada em cálculos de desmatamento.

Galeria de Fotos

 

Expediente

Diretor Geral: William Arruda DRT: 1558/MT
Diretor Responsável: Willian Arruda
Diretor Comercial: Ivete Nascimento
(65) 3337-1654

Titulo fixo

Facebook

Crie seu novo site AgenSite
versão Normal Versão Normal Painel Administrativo Painel Administrativo